Como crianças, prosseguindo para o Reino...

By Elaine Cândida - maio 01, 2017


Não sei exatamente o porquê, mas um aluno meu resolveu chamar o pai da coleguinha da mesa ao lado de “careca”. A menina, imediatamente, pôs-se a chorar e ficou emburrada. Cruzou os bracinhos, debruçou-se sobre a mesa, e deixou de lado a tarefinha que executava.

Depois de algum tempo, ela criou coragem e foi denunciar o menino. Ainda de braços cruzados, com uma expressão facial de poucos amigos, lágrimas ainda secando em seu rosto, aproximou-se da minha mesa, e disse com uma voz sofrida: “Tia, o Pietro chamou o meu pai de “careca”, e ele nem conhece o meu pai para ficar falando essas coisas.” Obviamente, chamei o Pietro à minha mesa também, conversei com ele sobre respeito às pessoas, e instruí-lhe a pedir desculpas para a colega. Assim ele o fez, e ambos voltaram aos seus lugares.

Fiquei pensando na colocação da Thífany, que só devemos fazer julgamento sobre algo ou alguém de, de fato, o conhecermos. Mas o que veio depois foi o que realmente me impressionou.

Depois de alguns minutos, eu pedi ao Pietro para ir até a sala da Coordenação Pedagógica da escola, pegar cópias que eu havia solicitado de uma atividade. Quando ele saiu pela porta, a Thífany correu até a minha mesa com um largo sorriso e disse: “Tia, posso ir com ele?” E eu, que pensei que ela ficaria um bom tempo remoendo a ofensa que ele havia lhe feito minutos antes, só consegui dizer “sim”.

Fiquei observando, quando ela passou, toda serelepe, pela porta, chamando por ele, para que lhe esperasse. E Pietro, que já ia bem à frente, parou para esperar a menina, sorriu quando o sapato dela saiu do seu pé pelo caminho, esperou que ela o calçasse novamente, e segurou na sua mão para subirem juntos a escada que leva às salas da administração da escola.

Algumas pessoas levaram crianças até Jesus, para que Ele tocasse nelas, mas os discípulos as repreendiam, ao passo que Jesus, vendo isso, ficou indignado e disse: "Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam; pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas. Digo-lhes a verdade: Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele". Em seguida, tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou.” (Marcos 10:14-16)

Uma das características mais excelentes de uma criança é saber perdoar e o fazer rapidamente. Diferente de nós, adultos, crianças se permitem aliviar os ombros da pesada carga do rancor, trocando-a pela agradável leveza do perdão. Elas preferem – e com muita constância o fazem –  saborear a paz de um coração perdoador, a amargarem o fel do desejo da vingança.

“Tudo bem, Elaine, mas chamar o pai de alguém de ‘careca’ não é uma ofensa tão grave assim!”, você pode me dizer. E eu também acredito nisso. Mas uma criança de 6 anos de idade, que está encarando a separação dos pais, não pensa dessa forma. Essa, que é uma pequena ofensa para nós, pode ser uma enorme provação para ela. Contudo, a Thifany soube lidar com isso rapidamente, quando decidiu perdoar quem lhe ofendeu. Uma decisão ordinária com efeitos extraordinários. Uma atitude simples e intensa, que cerra as portas do coração do homem para as ações do mal e alegra o coração do Deus que teve a mesma atitude para conosco.

Muito bonito e revelador para mim, depois de tudo, ver meus aluninhos juntos, subindo a escada, mais concentrados em fazer o que eu pedi do que nas suas próprias dores. Enquanto se envolviam naquela “missão”, os acontecimentos anteriores passaram, as diferenças se resolveram e a paz reinou em seus corações. Deus espera que Seus filhos também vivam assim: juntos, unidos, perdoando, prosseguindo no caminho e perseverando em realizar as importantes obras que Ele nos confiou, dia após dia.

Da ingenuidade e da candura dos pequenos é que vem a importante conclusão: Que ninguém é tão abençoado como quem recebe o perdão, e ninguém é tão aperfeiçoado como quem aprende a perdoar. E, no fim da escada está o Senhor, esperando por ambos.

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